O melhor amigo do homem não é o cão!

Março 27, 2008 at 9:51 pm (Cinema, Coisas inacreditáveis, Fantasiagens) (, , , , , , , , , )

Nossa televisão foi para onde Judas perdeu as sandálias e o diabo, as meias.
Coitada, ela tinha dez anos. DEZ ANOS!
Faz falta, sério, e dá dó olhar para aquele buraco amarguradamente cheio de ar onde, um dia, esteve um eletrodoméstico quadrado e preto, que nos contava todas as desgraças alheias dos seres humanos que habitam este planeta em-rota-de-destruição-total - e, muito raramente, trazia à tona algum fato curioso e/ou digno de nota -, e não ver mais aquele amontoado de peças, fios, parafusos e eletricidade que já nos fez rir quando devíamos chorar.
Deveras. Quando parei para pensar que a televisão FAZ falta em minha débil e ignóbil vidinha - às vezes nem tão débil/ignóbil assim, mas simples e feliz - de Homo sapiens sapiens que, como já diz o nome, homem que pensa que pensa, cheguei à conclusão de que o fim do mundo é hoje.
O século XXI é o fim do mundo!
Fiquei chocada. Não com o fato de o botão preto e quadrado onde está escrito “Power” não obedecer a meu comando de “Liga/desliga”; com o fato de que eu não esperava por isso. Só não digo que foi um golpe violento, incalculável e súbito, porque há tempos consigo viver sem a aceitação da mídia. Contudo, posso dizer que foi uma surpresa extremamente desagradável, inesperada - como toda surpresa deve ser - e filosófica.
Não vejo filosofia alguma em uma televisão, você pensa. Nem eu, respondo-lhe. Filosófico é o fato de aquele eletrodoméstico ter durado dez anos sem problema algum, ou coisa que o valha.
Pense: quantas vezes você já comprou uma televisão em sua vida? Detalhe: conte todas elas, desde aquela de tela com um palmo de área, preto-e-branca, com antena retrátil até aquela última de gosma, com não-sei-quantas polegadas, aneladas, o que seja, que deixa a imagem mais real possível - o que, na verdade, significa que há um photoshop embutido.
Diga que, se você está sozinho em casa, lendo uma revista, ou um jornal - ou até escutando uma música da moda no seu mp5 de última geração que faz tudo: toca música, vídeo, foto e documento, armazena dados, corta suas unhas, tira foto, conversa contigo sobre quem ganhou a baboseira do Big Brother, lava a louça e a roupa, empresta uma graninha quando você está duro e, AINDA, é menor que a palma da sua mão -, diga que se a televisão estiver ligada, mesmo no modo “mudo”, não lhe dá a nítida impressão de que não está sozinho? Pois eu tenho essa sensação.
Continuo chocada.
O mundo acabou, e ninguém me avisou!
Eu jurava que isso tinha aparecido no Jornal Nacional. Vai ver foi o Boner mesmo quem disse. Humm. Ou será que passou no Globo Repórter?

1 Comentário

  1. hifens disse,

    Março 27, 2008 às 11:43 pm

    Duro, chocante - mas filosófico, sim. A televisão faz tanto efeito em minha vida quanto cócegas em minha bariga, ou seja: nenhum. Nenhunzinho efeito. Nunca havia pensado nela em especial. Mesmo. Mas esse seu texto fez-me refletir. Há quanto estou ouvindo, insistentemente, colegas, amigos, manos e até professores falarem sobre novelas, a coisa gosmenta, pérfida e mutante do BBB e programas de auditório? Acredite-me, até MEUS PAIS, meus precurssores neste mundo de Deus se submeteram à Mídia. Eu tento alertar as pessoas, mas quem ouve? O mundo já está tomado, transformado, mudado… contaminado por esse maldito aparelho. E lhe digo e concordo: o mundo terminou.

Comente