Chernobyl e uma aula (espetacular!) de química
Ontem, tivemos química no terceiro período. O professor entrou na sala, esperou todos fazerem silêncio antes de começar a chamada (como sempre). Depois disso, escreveu o título do novo conteúdo que aprenderíamos naquela aula: radioatividade. Um nome familiar para mim, se posso dizer. E começou a falar sobre os elementos radioativos que existem na tabela periódica. Foi então que tudo começou. O professor passou-nos as três radiações: alfa, beta e gama, e perguntou-nos qual delas era a mais perigosa. A maioria dos meus colegas disseram que era a alfa.
- Errado - falou o professor. - A mais perigosa é a gama, porque simplesmente você não pode manter trancado algo que não tem nem carga nem massa.
E realmente fazia sentido. Como algo que praticamente não existe pode ser trancado? O professor nos contou, então, que se usássemos uma caixa de ferro para manter a gama em local seguro sem prejudicar ninguém, seria em vão. Porque o único elemento da periódica que pode com a gama, a beta ou a alfa é o chumbo.
- E vocês ainda vão precisar usar no mínimo uma camada de 8 centímetros de chumbo e depois mais camadas de concreto.
Realmente impressionante. Aí, o professor lembrou-se de Chernobyl.
- Chernobyl, a Cidade Fantasma. Lá, houve um vazamento numa usina nuclear. Ele causou milhares de mortes. Sério, muita gente mesmo morreu. E o pior é que todo o lixo radioativo que vazou em Chernobyl, vazou também para o mundo. Por que vocês acham que, hoje, as pessoas morrem mais de câncer do que antigamente?
Alguém perguntou sobre como entrar na Cidade Fantasma.
- Lá não se entra mais. É proibido e extremamente perigoso. Chernobyl não existe mais. Ela virou uma cidade fantasma, porque ninguém nunca se ariscou a ir lá. Não há nenhuma forma de vida viva lá dentro. E toda aquela radioatividade vai continuar lá eternamente.
Alguém comentou sobre uma explosão nuclear que aconteceu em Brasília.
- Não foi uma explosão. É que largaram, sem perceber, lixo radioativo hospitalar num lixão. O tambor era enorme, de chumbo, e as pessoas do lixão ficaram curiosas. “O que será que tem dentro? Vamos abrir? Vamos!”. E abriram. Lá havia alguns gramas de césio. É claro que eles não sabiam que era césio e era radioativo. Mas ficaram encantados com a bela luz azul que emanava daquilo. Passaram no corpo e se divertiram brilhando no escuro. Só que no outro dia, todos haviam morrido de câncer.
Silêncio total na sala. O Otávio começou a sussurrar. E todos nós:
- Cala a boca, Otávio!!
O professor, então, puxou a tabela periódica e pôs-se a dizer:
- Encontrem o urânio aí.
Todos procuramos.
- Qual é o número atômico dele?
- 92.
- Agora procurem o chumbo.
Todos procuramos.
- O número atômico dele?
- 82.
- Perfeito. Agora, o chumbo é radioativo?
Silêncio. Alguém disse que sim.
- Não, o chumbo não é radioativo. Todo elemento de número atômico acima de 82 é radioativo, mas o chumbo não.
Alguém quis saber daquela história de recolherem os brinquedos da Matel pois tinham chumbo.
- Aquele chumbo continha também urânio, plutônio, etc. Se vocês pegarem chumbo na mão, não vão morrer de câncer.
Todos fazeram sinais afirmativos com a cabeça.
- Mas o chumbo JÁ FOI radioativo. Vejam: todo elemento radioativo que perde sua radioatividade, vira chumbo. O urânio, por exemplo, se perder a radioatividade, vira chumbo.
Uau! Pessoal, isso é demais! Vocês perceberam a coincidência? (Só uso a expressão “coincidência”, porque não há outra para usar. Porque coincidências “no eczistem”!) O chumbo é o único material que pode segurar os elementos radioativos, e todo elemento radioativo que perde sua radioatividade vira chumbo! Não é incrível? Sim, é incrível!
Mas não era aí que eu queria chegar. Eu queria mostrar como foi a nossa aula de química. Aliás, a nossa ESPETACULAR AULA DE QUÍMICA! Porque todos prestaram atenção! E se você conhece a nossa turma, sabe que o que estou dizendo é um milagre. XDD Vêem? É só o professor começar a contar algumas tragédias que todo mundo presta atenção. XDDDD
Bye-bye!
Pietra.
P.S.: vou pedir pro professor falar mais sobre tragédias. XD
hifens disse,
Outubro 21, 2007 às 4:54 pm
Fascinante, não? Tão fascinante quando genética. *-*
Beijos - Pady.
pietracr disse,
Outubro 22, 2007 às 8:36 pm
Yeah, dear! Ambos fascinantes! A gente fica vidrado na aula. É muuuuuito demais! *-*
Bjs-bjs
NANY disse,
Outubro 27, 2007 às 4:50 pm
Que coincidencia quarta passada tambem tive uma explicaçao do professor sobre radioatividade e ele entrou no assunto sobre a explosão radioativa de CHERNOBYL, foi demais todos se interessaram pelo assunto.
pietracr disse,
Outubro 28, 2007 às 12:35 pm
É muito estranho quando prestam atenção à aula, não? XDDD Nem parecem eles. ;D
Lê disse,
Fevereiro 11, 2008 às 12:27 am
Olha, o seu texto me ajudou na lição de casaa! hahahaahahahaha. Foi muito útil!
Acho que também vou pedir pro meu professor contar tragédias na aula. Foi comprovado: nós, humamos, sentimos prrazer pela desgraça alheia. Portanto, não sinta-se culpado.
beijos, lêeee (:
gleice disse,
Maio 16, 2008 às 12:30 pm
caralho essa historia e fascinante muito legallllllllllllllllll
vou brocar na proxima aula e quimica
Betina disse,
Maio 22, 2008 às 2:39 am
(Será que você vai ler isso?) ;P
nossa, eu tava vendo.. cara! QUE SAUDADE DISSO!
Do conteúdo de química do ano passado, do Professor Volmar…
As aulas dele eram TÃO INTERESSANTES! E tipo… eu prefiro a química do Volmar a química do Mateus… apesar de ele ser engraçado e tudo mais, mas o jeito que o Volmar explicava, e as contas, e a matéria, era fascinante! Até estou pensando em fazer Engenharia Química *-* (é sério ^^)
Nossa Pii, é muito legal teu blooooooog heim ;P Parabéns!
Beijos da Bê xD
João Ricardo disse,
Julho 24, 2008 às 12:46 pm
Show! bem verdade!!! abraços