Som de escolha

Outubro 9, 2008 at 5:22 pm (Livros, Uncategorized)

                A música aguda e desafinadamente irritante ainda estava balançando sobre as casas e repetindo sem cessar as incríveis vantagens daquela escolha.

                “Por que eles fazem isso, Sissi?”, perguntou Ângela, seu pequeno nariz colado à janela.

                Aos plenos seis anos, a menina infernizava o dia da babá com questões atrás de questões. E não se duvidava que naquela noite não seria diferente. A mulher suspirou, enfadada, e largou a revista de frivolidades.

                “Por quê, Sissi?”, insistiu a garotinha, afastando-se do vidro e descendo da cadeira.

                “Ahn, bem, Ângela”, a babá coçou a cabeça, procurando alguma boa teoria. “Eles PRECISAM fazer isso, sabe? Eles têm de, ahn, fazer a gente gostar deles… Você não vai entender.”

                “Mas isso é tão chato”, enfatizou o adjetivo com pulinhos.

                “Eu sei, você quer que eu faça o quê? A cada dois anos é essa coisa toda, vai e voltam papeizinhos, tralalá e blablablá. E eles acham que nos convencem.”

                “Se eles querem que eu goste deles”, resmungou a garotinha, subindo novamente na cadeira e olhando para a rua escura, “é bom pararem com essa música boba.”

                “Tudo isso, Ângela”, filosofou a babá, pegando a revista e folheando algumas páginas, “faz parte de um processo intrincado e que muita gente que deveria entender não entende. Quando você for maior, o seu pai vai explicar cada palavra para você, e você vai saber exatamente por que essa canção tão chata na verdade é tão importante para todo mundo.”

                E pôs-se a ler uma matéria sobre tinturas capilares. A menina observou a mulher por longos minutos e, então, voltando-se mais uma vez para a janela, soltou:

                “Eles devem ter lavado seu cérebro, Sissi, porque você está falando difícil.”

 

  

 

By Moony.™

 

 

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FABRICANTES DE PONTAS DE CANETAS ESFEROGRÁFICAS ENTRAM EM GREVE POR NEGAÇÃO DE PANETONES DE NATAL

Setembro 9, 2008 at 12:09 am (Fantasiagens, Livros) (, , , , )

Os 17 funcionários do setor Pontas de Canetas Esferográficas da fábrica da Bec decidiram entrar em greve contra a negação de receberem panetones no feriado de Natal.

“É um absurdo!”, exclama um operário calvo ensandecido, tentando arrancar a caneta de minha mão. “O país pararia se não fôssemos nós! Ninguém poderia escrever nada! Uma greve vai mostrar o poder dos fabricantes de pontas de canetas esferográficas!”

Por concessão e medidas de contenção de despesas, o vice-auxiliar de gerência aconselhou ao dono da fábrica cortar a distribuição de comestíveis brindes natalinos, o que causou a visível e já citada revolta dos funcionários.

“Não há problemas realmente graves”, garante o sr. K…, dono da indústria. “Se eles persistirem com essa lenga-lenga de greve, irão passar a fazer parte do Índice de Desemprego Nacional.” 

 

Matéria escolar por mim mesma, estudante e (quem sabe) ascendente a jornalista.

 

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15 and life

Agosto 17, 2008 at 7:09 pm (Desabafo - nem note) (, , , , , , )

Notei que andei lutando sozinha. Ou melhor, percebi que rejeitei as mãos que me estenderam e ralei meus cotovelos ao tentar me levantar. Minhas costas e meus braços dóem, minhas pernas tremem, contudo preciso permanecer de pé. Hm, isso é interessante.

Realmente, não escrevo há um longo tempo. Não escrevo nada; nem fics, nem posts. Estou me estranhando. Em compensação, sempre que posso, escuto músicas - mais precisamente, as de Guitar Hero Encore: Rocks the 80’s, um jogo para Playstation 2. Uma em especial está a tocar neste exato momento no Media Player, várias vezes seguidas, várias vezes seguidas, várias, várias vezes, repetidas vezes. Ela tem o nome “18 And Life” e quem a criou foi a banda Skid Row.

Ricky was a young booooy
he had a heart of stoooone
Lived 9 to 5 and worked
his fingers to the bo-ooone

Just barely got out of school
Came from the edge of town
Fought like a switchblade
So no one could take him down

He had no money, ooh, no good at hoooome
He walked the streets, a soldier
and he fought the world alone
And now it’s

18 and life, you got it
18 and life, you knoooow
Your crime is tiiime, and it’s
18 and life to goooo

18 and life, you got it
18 and life, you knoooow
Your crime is tiiime
and it’s 18 and life to go-oooooooooooooooooooooooo-o-ouooo

Tequila in his heartbeat
His veins burned gasoliiiiiiine
It kept his motor running
but it never kept him cleeeean

They say he loved adventure
Ricky’s the wild oooone
He married trouble
had a courtship with a guuuu-uun

Bang, bang, shoot’em up
The party never eeeends
You can’t think of dying
when the bottle’s your best friend
And now it’s

18 and life, you got it
18 and life, you knoooow
Your crime is tiiime, and it’s
18 and life to goooooo

18 and life, you got it
18 and life, you knoooow
Your crime is tiime
and it’s 18 and life to go-oooooooooooooooooyeahyeah

“Accidents will hapen”, they all heard Ricky say
He fired his six shot to the wind
that child blew a child away

18 and life, you got it
18 and life, you knoooow
Your crime is tiiime, and it’s
18 and life to gooo-oooo

18 and life, you got it
18 and life, you knooow
Your crime is tiime, and it’s
18 and life to go-oooooooooooooooooooooyeeeeeeahheeeeeeeeeeeeeeeahyeeah

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João Gilberto me inspira. o.o

Junho 30, 2008 at 7:33 pm (Coisas inacreditáveis, Fantasiagens)

    Na primeira vez - de minha vida inteirinha de quinze anos e alguns meses - em que escutei João Gilberto, por sorte eu tinha papel e caneta a meu lado. Porque saiu-me uma daquelas inspirações. Um poema que pareceu-me muito apropriado para o estado o qual acabo de deixar. Contudo, o que me assustou foi o fato de que, quando escostei a caneta no papel para escrever “E não sei”, só a levantei ao pontuar o “guie-me”. *engole em seco* Isso nunca aconteceu comigo. Escrevi direto, em poucos segundos, sem fazer mudanças significativas, depois.

Utopia

E não sei mais o que chamar de utopia
Tudo some com a neblina pesada
do fim de tarde cinza e crua
Não encontro as palavras
Tateio em vão
como na brincadeira de infância
uma venda falsa
(falsamente cruel)

A circunstância zomba de mim
Cara dura
Quero gritar!
Às estrelas de papel à lua de metal
Injustiça!
Cala-te, coração
e deixa que a frieza toque meus ombros
e guie-me.

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Acredite em sua intuição

Maio 22, 2008 at 12:46 pm (Cinema, Coisas inacreditáveis, Fantasiagens)

Intuição

Eu já sabia
antes mesmo que acontecesse.
Já doía
antes mesmo que o punhal descesse.

Acabou.

E percebi apenas agora.

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